As Origens do Lacrosse

Posted: Setembro 27, 2011 in Uncategorized

Lê este artigo e descobre melhor as raízes do nosso desporto preferido! Para breve fica a publicação das Origens do Lacrosse…em Lisboa!

O jogo de lacrosse foi criado por nativos americanos, com raízes que remontam ao sec XIII, sendo por isso considerado o desporto Norte Americano mais antigo. Este desporto de equipa tem uma grande importância histórica especialmente para os índios da zona que hoje conhecemos como Nova Iorque que, já há muito tempo integravam o Lacrosse na vida cultural, espiritual e social das suas tribos.

Para os nativos americanos, este desporto é entendido como “O Jogo do Criador”. Ao jogo, os índios deram o comprido nome de “dehuntshigwa’e”, significando qualquer coisa como «homens batendo num objecto redondo», sendo muitas vezes jogado para resolver conflitos tribais ou para desenvolver homens fortes e virís.

Jean de Brebeuf um missionário francês, descrevia pela primeira vez lacrosse num relatório aos seus superiores em 1636. Embora tivesse pouca compreensão das regras do jogo, Jean de Brebeuf ficou intrigado com o pau/vara que os índios Huron estavam a usar durante um jogo. O pau/vara tinha uma forma semelhante ao “bastão episcopal” ostentado pelos bispos mas cerimónias religiosas… daí o nome “la croix” que passou a ser usado e que foi alterado posteriormente para “lacrosse” na zona do território Canadiano que fala Inglês. Existe tambem quem defenda que o nome advem da descrição feita na altura pelos missionários, «Le jeu de la Crosse» o jogo dos bastões.

O desporto que esses primeiros missionários viam era extremamente intenso, violento e rápido. O campo de lacrosse era enorme, variando entre 500 metros e vários quilometros de distância. Na época, as balizas eram elementos naturais, pedras ou árvores, e os jogos decorriam durante todo o dia ou mesmo vários dias. Os indios construiam os seus pesados bastões com madeira e a rede a partir de pêlos de veado, mais tarde  de tripa.

Inicialmente as bolas eram feitas de madeira, argila ou mesmo pedra, ao longo do tempo foram sendo cobertas por peles de animais.

Estes eventos desportivos, eram desafios formais entre os índios de aldeias ou tribos vizinhas, e muitas vezes incluíam mais de 100 homens em cada equipa. De facto, em 1797, um jogo foi observado pelo coronel William Stone, entre os índios Mohawk e os índios Seneca, que envolveu mais de 1.200 jogadores.

O artista do século XIX, George Catlin, observou e pintou representações de uma versão particularmente agressiva de Lacrosse dos índios do sudeste Americano. Ele observou que este jogo-guerra, imitava os rigores do combate e da guerra, sendo quase tão sangrento como a guerra real. Os índios do Sudeste chamavam apropriadamente o Lacrosse de, “pequeno irmão de guerra”. Ficou claro na época que, os índios utilizavam o Lacrosse, como uma alternativa civilizada de uma batalha real, os jogos eram disputados entre duas tribos para resolver as suas divergências.

Catlin ficou maravilhado com a elaboração das cerimónias pré jogo que eram organizadas pelos curandeiros da aldeia antes de uma grande partida. Nos seus relatos ele descreve ter visto, duas colunas de mulheres que gritavam pedindo a ajuda do Grande Espírito para decidir o jogo a seu favor. Ao mesmo tempo, os jogadores empunhando os seus paus iriam à sua maneira trabalhar para atingir o objetivo, que no caso se assemelhava a uns postes com 6 metros de altura.

Durante dois ou três dias que antecederam o jogo, chegavam espectadores ao campo de jogo, cada um carregando os seus pertences – peles, couros, e ornamentos – para apostar no resultado do jogo.

Mais para norte, os índios Mohawk introduziram o jogo aos Canadianos de origem Francesa por volta de 1750.

Os livros de história, registam o uso de um jogo de lacrosse como uma forma de desviar as atenções de forma a permitir que os índios de Ottawa liderados pelo Chefe Pontiac vencessem os ingleses no Forte Michilimakinac em 1763.

Em 1834, Montreal foi palco de uma demonstração do Lacrosse pelos Índios “Caughnawaga”. 

O interesse dos Canadianos foi crescente e em 1856, o Dr. William George Beers, fundou o Clube de Lacrosse de Montreal. O mesmo foi responsável pela primeira regulamentação da modalidade. Em 1867, Beers determinou as dimensões do campo, limitou o número de jogadores e outras regras básicas.

Quando a independência do Canadá foi declarada, o Lacrosse foi declarado desporto nacional e a Associação Nacional de Lacrosse Canadiano foi formada. Nesse mesmo ano, uma equipa de índios  Iroquois viajou pela Inglaterra e o jogo ganhou força internacional com o estabelecimento de Clubes na Austrália (1874), Inglaterra (1875) e vários clubes nos Estados Unidos em 1877, quando o lacrosse foi tambem iniciado junto das universidades.

Lacrosse foi introduzido como um desporto olímpico em 1904 no qual, o Canadá ganhou o primeiro título olímpico. O primeiro Campeonato Mundial de Lacrosse foi realizado em Toronto em 1967 e os Campeonatos Mundiais subsequentes foram realizados a cada quatro anos desde a criação da Federação Internacional de Lacrosse em 1974, ano em que teve lugar o 2º Campeonato Mundial que foi realizado em Melbourne, Austrália.  

As competições internacionais de Lacrosse, ainda hoje, registam uma curiosidade, fazendo justiça aos inventores deste interessante desporto, junto com os paises que são reconhecidos internacionalmente, nas competições de Lacrosse, existe muitas vezes a participação de uma nação índia, os índios Iroquois, que se distribuem num território Americano e Canadiano, desde a zona de Nova Iorque até Toronto e que nas competições mundiais de Lacrosse participam como se fossem um país independente.

A importância do Lacrosse junto dos nativos americanos é de tal forma grande que a modalidade é passada de geração em geração logo no momento do nascimento, altura em que aos bebes é oferecido um crosse em miniatura.

Outros nomes pelo qual é conhecido o Lacrosse entre os nativos-americanos:

•Dehuntshigwa’es em Onondaga* (“homens batem num objecto arredondado”);
•Da-nah-wah’uwsdi em Cherokee oriental* (“um pouco de guerra”),
•Tewaarathon na língua Mohawk* (“pequeno irmão da guerra”),
•Baggattawag em Ojibwe* (“eles batem bolas”).

Resumindo…este jogo não é para meninos! É DE GUERREIROS!

info: lisboalacrosse@gmail.com

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Comentários
  1. Rui Conde diz:

    «Resumindo…este jogo não é para meninos! É DE GUERREIROS!»

    Lá está o autor a picar o Goes…

  2. Rui Conde diz:

    Gosto muito da fotografia do Lacrosse nos jogos Olimpicos e constatar que o Goalie n usa capacete. Grande heroi!!!

  3. Gostava de saber se em 1904 as bolas também eram de borracha 😀
    Muito bom isto.

    O JOGO DOS GUERREIROS aka Lacrosse

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